O que tem sentido? (parte I)


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Estamos no inicio do ano, mês de Janeiro de 2017! Com o novo começo, mais uma chance de repensar o que se tem feito. A vida, as relações, o trabalho, os estudos, novos hábitos… Novos projetos ou até a retomada de projetos antigos. O que vale é ter sentido não para a sociedade, mas para mim. E aí surge a pergunta, o que significa ter sentido para mim, como assim?

Viktor Frankl (1905-1997), um psicólogo vienense, em vida tratou de transmitir de forma extraordinária o que era este sentido e fez isso a partir de suas experiências como prisioneiro durante treze anos em campos de concentração nazistas no período da Segunda Guerra Mundial. Claro que antes disso ele tinha uma vida, profissão, família… Contudo quem ler o livro Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração terá uma sensação de que aqueles anos de sofrimento levou o autor a encontrar de fato um sentido para a vida.

Uma pergunta! Por que está sendo citado um autor do século passado para falar de sentido da vida hoje? As condições eram outras, a história era outra. Não há como discordar desse argumento, é verdade.Mas naquele período,Frankl percebeu algo em que a sociedade em sua grande maioria esta mergulhada nos dias de hoje, o desejo de ser melhor quanto ao ter e não quanto ao ser.

Atualmente a maioria das pessoas deseja ter. Ter o melhor carro, a melhor casa, os melhores móveis, a melhor roupa, o melhor plano de saúde, o melhor emprego… E se não for o melhor emprego que ao menos lhe pague bem melhor que os outros. Sempre melhor! O mais interessante é que na verdade esse TER diz respeito a TER e SER melhor que os outros. Ou seja, a necessidade de ter mais e melhor que meu vizinho. Que o filho ou filha tenha mais e melhor que o coleguinha da escola ou que “meu filho ou filha jamais passem pelo que passei na minha infância, quando eu não tinha”!

Então, esse deve ser o sentido de fato de uma vida? Ter e ser melhor que os outros? Uma preocupação eterna com o externo? Damo-nos conta disso? Você já se deu conta disso?

Sigmund Freud (1856-1939) escreveu um Livro intitulado o Mal Estar Da Civilização em que sinaliza uma busca constante da civilização pela satisfação e o prazer. E a falta dessa realização acaba levando ao adoecimento. O que chama atenção para uma coisa, também se trata de séculos diferentes, mas de assunto atual. Hoje chama a atenção o crescente número de casos de pessoas com depressão e que vêm a cometer suicídio. Claro que precisamos estar atentos, pois depressão pode ter causas fisiológicas e existenciais, cabe à avaliação de um profissional qualificado para isso (pode ser um psicólogo, um psiquiatra ou um bom médico clínico).

Em caso de causa existencial, há que se considerar o que ocorre na vida desse sujeito. Ah, mais o Fulano de Tal tem tudo! Uma boa casa, uma boa família, o emprego dos sonhos, um bom carro… Por que ele esta com depressão?

Provavelmente porque estas coisas não tem sentido para ele.

Mas como assim?

Talvez em algum momento da vida de Fulano de Tal, ele tenha se desviado de algo que lhe era muito mais significativo do que o “ter” e o “ser” material. Mesmo porque somos levados o tempo inteiro pelos meios de comunicação a ter e ser materialmente; a demonstrar a felicidade acima de tudo.

Enquanto sociedade,aprendemos ao longo do tempo a nos podar (ter o controle), e por ter sido uma doutrina passa-se adiante. Hoje chorar, demonstrar sentimentos e comportamentos que não sejam de felicidade é proibido. E se perguntamos por quê não pode chorar ou ficar triste, a resposta vem de imediato “você tem que mostrar que é melhor, que está bem e feliz!”. E, encerrando com mais uma pergunta, qual o sentido disso?

Vera Lúcia Santos Psicóloga Clinica e Gestalt-Terapeuta CRP-03/6854 Contatos: (71) 99173-9089 (Tim)/ (71)98145-7902 WhatsApp (Claro) … Nós, que é diferente do Eu e Tu. Nós não existe, mas consiste do Eu e Tu, é um fronteira em constante mudança onde duas pessoas se encontram. E quando nós nos encontramos lá, eu me modifico e você se modifica através do processo de encontrarmos um ao outro… (PERLS, 1969, p.7 apud HYCNER E JACOBS, 1995)